O barulho do
despertador alertava: já eram 4 horas da manhã.
Geraldo esticou
seu braço, o silenciou e se pôs sentado na cama. Olhou para trás, e observou
Lia enquanto ela dormia. Ainda jovem, sua esposa abrira mão de uma vida luxuosa
para morar com ele no campo. Filha do proprietário de um supermercado resolveu
morar com Geraldo apenas com 18 anos. Ela
é a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Loira, cabelos na altura
dos ombros, olhos azuis, e disputada por muitos dos ricos rapazes que viviam na
cidade, preferiu partir com seu agora marido para uma vida simples longe dali,
em uma pequena propriedade que ele comprara com a herança que recebera dos
pais. Tem horas que não acredito que ela
preferiu a mim. Geraldo voltou a si de seus pensamentos, e levantou para mais um dia de plantação.
Ao chegar na
cozinha, espantou-se ao ver a porta aberta, praticamente escancarada.
- Meu Deus!
Será que alguém entrou aqui? – Disse Geraldo em desespero quando saiu em
disparada até o quarto do filho de 3 anos.
Mais um susto,
João não estava no quarto. No mesmo momento, Geraldo girou sobre os calcanhares
e saiu gritando para fora o nome de João. Gritos esses que se encerraram ao
chegar na frente de sua varanda, ao ver o filho sentado cavando um buraco, de
aproximadamente 30 centímetros de profundidade.
- Minha nossa
João! O que está fazendo aqui fora a essas horas?
João mantinha
seu foco no buraco, ignorando completamente o desespero do pai.
- Venha, vamos
para dentro! Está frio meu filho – disse Geraldo agarrando o filho pelo braço.
Ao se sentir
as mãos do pai, o pequeno João se viu em desespero. Começou a se debater como se
aquilo queimasse sua pele. Ele não gostava de ser tocado.
Lia, apareceu
totalmente assustada com os gritos do marido, querendo saber o que estava
acontecendo, quando se deparou com a imagem de Geraldo, agora parado, olhando
para o pequeno João enquanto esse continuava a cavar.
Terminando o
que aparentemente era um simples buraco, João deu meia volta e voltou para a
cama, como se nada tivesse acontecido. Geraldo e Lia se entreolharam sem
entender nada, Lia voltou para a cama e Geraldo seguiu seu caminho para a
plantação. Havia muito o que se aprender sobre seu filho.
Já passava do
meio dia quando Geraldo vinha ao longe, Lia estava na varanda esperando por ele
para almoçar, e João estava brincando com seu pequeno avião sem uma das asas. Para
o espanto de Lia, Geraldo trazia em uma de suas mãos, um pássaro, sem que esse
realizasse nenhum movimento.
- Minha nossa
Geraldo, o que é isso agora? – Perguntou Lia olhando para o animal nas mãos do
marido.
- Acabei de
encontrá-lo, estava caído há uns 50 metros daqui. Parece que levou uma pedrada,
mas não resistiu. Morreu no caminho para cá. Não queria deixá-lo caído lá no chão.
Nisso, o
pequeno João se levantou de onde estava, se aproximou do pai e pegou o pássaro
morto em sua mão. Seguiu até o pequeno buraco que ele havia cavado, e colocou o
pássaro com cuidado lá dentro. O cobriu com terra, e voltou a brincar com seu
aviãozinho.
- Meu Deus
Geraldo – disse Lia em um tom de espanto. – Ele cavou uma cova para o pássaro.
- Impossível –
ele respondeu mais espantado ainda. – Como ele poderia saber?
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