A altura não
parecia um problema para João.
Todas as
árvores da propriedade pareciam ser suas amigas. João chegava como quem
gostaria apenas aproveitar de sua sombra, começava a contornar seu tronco e o
tocava com as duas mãos em um movimento que mais parecia uma saudação. De
repente, ele olhava para cima, estudando a árvore, escolhendo um melhor lugar
para subir. Ao estar certo do que fazer, ele começava a escalá-la, e em poucos
segundos já estava no seu topo. Passava horas ali, sem se mover, apenas olhando
a propriedade de seu pai.
Aquele era o
ponto favorito de João, era o lugar de onde ele conseguia ter a visão total de
toda a área. Via seu pai ao longe, trabalhando sozinho em sua suada plantação.
Um giro de 180 graus e podia ver sua mãe, trabalhando em seu jardim. Um giro de
mais 90 graus e poderia enxergar a porteira que dava acesso à propriedade. Logo
acima da porteira, a placa com o nome “Fazenda Pedaço do Céu”, não que João
aparentemente soubesse ler aos 3 anos, mas sabia que esse era o nome do local
onde morava.
Lia nem
precisava procurar muito quando seu filho desaparecia por horas, sabia onde
encontrá-lo.
- João! Sei
que está aí em cima da árvore – Gritava ela, olhando para a copa da árvore
mesmo sem poder vê-lo. – Venha aqui, está na hora do almoço.
João esboçou
um pequeno sorriso apenas em um dos cantos da boca, olhou para frente, para um
pássaro que o observava de volta no mesmo galho. Olhou agora para baixo, e
começou a descer a árvore sem encontrar nenhuma dificuldade no que fazia.
Chegou ao chão
praticamente no mesmo intervalo de tempo que levou para chegar lá em cima, e
saiu em disparada em direção a sua casa.
Seu pai vinha
ao longe, trazendo o cansaço de meio dia de trabalho no corpo. Ao passar
embaixo da mesma árvore onde João se encontrava, o pássaro levantou voo,
causando um susto em Geraldo.
João olhou
para a cena, o mesmo canto da boca voltou a sorrir, ele então, virou-se para
sua mãe e correu até ela.
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