Já passavam
das cinco horas da tarde quando Geraldo chegou em casa. O dia não tinha sido
fácil e a plantação não tinha rendido como o esperado. A poeira em seu chapéu
parecia não ter fim quando ele o batia no canto da pequena porteira que
separava a porta da sala do grande pasto à frente de sua casa. Não quis entrar
em casa por aquela porta, sabia o quanto aquilo deixava sua esposa furiosa,
então deu a volta para que pudesse entrar pela varanda. Uma área de
aproximadamente 20 metros quadrados, preenchida por um fogão de lenha à
esquerda e um tanque de lavar roupas à direita. No canto ao lado do fogão,
Geraldo guardava suas varas de pescar e suas ferramentas particulares. Aquele
canto era seu pequeno depósito.
Tirou a velha
botina, passou pela varanda e entrou na pequena cozinha de sua casa. Sua esposa
estava sentada em uma das cadeiras de madeira, olhando para o pequeno João que
brincava com um pequeno avião de plástico, com apenas uma das asas, repetindo o
mesmo movimento de vai e vem.
Geraldo se
aproximou, em um gesto de carinho a beijou em sua testa, e cumprimentou seu
filho:
- Olá
Joãozinho – Disse ele se abaixando próximo ao filho. – Não quer falar oi para o
pai?
O filho
continuou sua brincadeira como se nada tivesse acontecido, nem sequer olhou
para o pai ali próximo a ele.
- Tivemos
algum progresso? – Perguntou Geraldo para Lia.
- Nada –
respondeu ela em tom de tristeza. – Faz uma hora mais ou menos que ele está aí
dessa mesma maneira. Não reage a nada que eu faça para ele. Não adianta
Geraldo, ele não nos ouve.
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