quarta-feira, 17 de julho de 2013

O filho que não ouve

Já passavam das cinco horas da tarde quando Geraldo chegou em casa. O dia não tinha sido fácil e a plantação não tinha rendido como o esperado. A poeira em seu chapéu parecia não ter fim quando ele o batia no canto da pequena porteira que separava a porta da sala do grande pasto à frente de sua casa. Não quis entrar em casa por aquela porta, sabia o quanto aquilo deixava sua esposa furiosa, então deu a volta para que pudesse entrar pela varanda. Uma área de aproximadamente 20 metros quadrados, preenchida por um fogão de lenha à esquerda e um tanque de lavar roupas à direita. No canto ao lado do fogão, Geraldo guardava suas varas de pescar e suas ferramentas particulares. Aquele canto era seu pequeno depósito.
Tirou a velha botina, passou pela varanda e entrou na pequena cozinha de sua casa. Sua esposa estava sentada em uma das cadeiras de madeira, olhando para o pequeno João que brincava com um pequeno avião de plástico, com apenas uma das asas, repetindo o mesmo movimento de vai e vem.
Geraldo se aproximou, em um gesto de carinho a beijou em sua testa, e cumprimentou seu filho:
- Olá Joãozinho – Disse ele se abaixando próximo ao filho. – Não quer falar oi para o pai?
O filho continuou sua brincadeira como se nada tivesse acontecido, nem sequer olhou para o pai ali próximo a ele.
- Tivemos algum progresso? – Perguntou Geraldo para Lia.

- Nada – respondeu ela em tom de tristeza. – Faz uma hora mais ou menos que ele está aí dessa mesma maneira. Não reage a nada que eu faça para ele. Não adianta Geraldo, ele não nos ouve.

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