Lia esperava
em frente ao consultório com o pequeno João ao seu lado, enquanto Geraldo se
aproximava com sua caminhonete. Após pegá-los, seguiram em direção ao mercado
do pai de Lia.
- Realmente
Geraldo, o neurologista disse que o João tem os traços que levam a crer que ele
é autista, como nós imaginávamos. – Disse Lia ao seu marido em um tom de
desapontamento.
Foram
discutindo o assunto enquanto o pequeno João olhava pela janela do carro todos
os prédios que acompanhavam aquela avenida. Seus olhos não se cansavam de olhar
para cima. Ao chegar ao mercado, o pai de Lia os viu chegando e correu para
recebê-los, e matar a saudade do neto que não via há quase 1 mês.
Como já era de
se esperar, não conseguiu um abraço, pois o pequeno João não aceitava que o
tocassem. O avô, por conhecer bem essa característica, não forçou a barra.
Ele os
convidou para subirem até o segundo andar, em sua casa, onde também sua esposa
os esperava para um café da tarde.
Aceitaram com
a condição de uma breve visita, pois Geraldo precisaria voltar logo, a
plantação não podia parar, e já tinham perdido bastante tempo desde manhã,
devido à consulta do pequeno João no consultório do Neurologista.
- Aquilo que
esperávamos mãe, o neurologista disse que João possui traços de autista. –
Dizia Lia à sua mãe enquanto essa lhe servia uma xícara de café.
- Não se
preocupe minha filha, – ela respondeu com calma – isso não muda nada. Basta
saber educá-lo, que tudo ficará bem. Inclusive, eu tenho um presente para ele.
- João, venha
cá, sua avó está lhe chamando! – Chamou Geraldo pelo filho.
Porém, o que já
era de se esperar, João não apareceu.
Ao sair pela
enorme casa de 200 metros quadrados, posicionada no segundo andar do
supermercado, Geraldo começou a se assustar ao não encontrar o filho.
- Lia, ele não
está aqui! – Gritou aflito.
Em um
instante, todos estavam às pressas procurando pelo garoto por toda a casa.
- Ai meu Deus!
– Gritou o pai de Lia ao ver cena.
João havia
aberto a porta da sala, que dava para uma sacada, atravessado a cortina que a
cobria, e se encontrava sentado sobre a grade, olhando o movimento intenso de
pessoas que saiam e entravam o tempo todo no mercado. O mais espantoso, é que
sentado junto dele, 2 pássaros pareciam lhe fazer companhia, olhando para o
mesmo ponto.
A chegada do
avô, fez com que os dois pássaros voassem deixando o garoto sozinho sobre a
grade de proteção. João olhou para trás, com um olhar de lamento pelo fato dos
dois amigos o terem deixado, e em um movimento rápido, voltou para dentro de
casa, sentando-se no chão da sala, e brincando com o controle da TV como se
este fosse um pequeno avião.
- Por favor João,
não faça mais isso! – Disse o avô de João enquanto olhava para o neto que
brincava no chão.
- Não adianta
pai – respondeu Lia se aproximando. – Algo muito forte liga ele aos pássaros.