A cidade mais
próxima da fazenda ficava a 10 quilômetros.
Pelo menos uma
vez por semana, Geraldo e Lia se deslocavam até lá para fazer compras e
aproveitavam para levar o pequeno João para passear.
Após uma tarde
de compras e um passeio breve por uma praça próxima ao mercado, os três
resolveram voltar para casa, exaustos e com a caminhonete cheia, partiram para
a estrada e seus tradicionais 10 quilômetros de trajeto.
Porém uma cena
lhes deixou assustados: Bem a sua frente, um carro aparentemente acabara de
capotar, e até aquele momento ninguém havia aparecido para prestar socorros. Mais
que instantaneamente, Geraldo parou a caminhonete, pediu para que Lia e João
ficassem no carro e saiu gritando para saber se estavam bem.
O carro estava
de ponta cabeça. Com boa parte de sua lataria amassada, não se ouviam pedidos
de socorro, o que fez Lia pensar o pior sobre aquela situação. João ficou em pé
no banco, observando tudo o que acontecia naquele momento.
- Não olhe meu
filho – pedia Lia a João, enquanto ele tentava entender o que se passava. – O papai
já vem. A polícia deve estar a caminho.
Geraldo
começou a se aproximar do carro, quando começou a chamar pelas pessoas que
estavam no carro:
- Estão todos
bem? Alguém ferido?
- Por favor,
nos ajude! – Veio uma voz trêmula de dentro do carro.
- Calma, tudo
vai ficar bem – respondeu Geraldo. – Eu já liguei para a polícia e para a ambulância.
Estão a caminho.
- Estamos
presos. Não conseguimos sair. Minha mulher está desmaiada. E não consigo ouvir
meu filho, não sei se ele estava usando o cinto – a voz fez uma pausa. – E não
consigo olhar para trás, meu pescoço não se move.
Naquele
momento, João saiu correndo pela porta que o pai havia deixado aberta, mesmo
com os gritos de Lia para que ficasse ali, ele atravessou o gramado e pulou a
cerca que estava fixada a uns 10 metros da estrada.
- Geraldo! O João
saiu correndo para a cerca! – Gritou Lia para seu marido, que estava de costas
para eles.
Ao ver o filho
correndo, Geraldo praticamente esqueceu da família dentro do carro, e saiu em
disparada atrás de seu filho, sem saber dessa vez onde ele estava indo. Após
percorrer uns 8 ou 10 metros depois da cerca, ele encontrou seu filho, abaixado
próximo a uma região onde o mato havia estava aparentemente mais baixo.
O susto de
Geraldo, ao chegar, foi ver o motivo daquela parte estar mais baixa: O filho do
casal se encontrava caído ali, praticamente sem consciência, mostrando que ele
havia sido arremessado durante o acidente. O pequeno João olhava para ele e, ao
ver seu pai chegar, se levantou e voltou para o carro, como sempre, sem pronunciar uma única palavra.
Mais 5
minutos, e a polícia e a ambulância chegaram, Geraldo mostrou onde estava a
criança. Preferiu não tirá-la do lugar por medo de quebrar alguma coisa.
Naquele momentos pelo menos mais uns 5 ou 6 carros estavam parados ali, uns por
curiosidade, outros ajudando na sinalização e prestando os socorros que lhes
eram possíveis.
Ao entrar no
carro, Geraldo olhou para Lia e depois voltou seu olhar para o pequeno João,
que por sua vez, olhava sempre para frente.
- Como você
sabia que aquele garoto estava lá? – Perguntou ao seu filho.
João se
mantinha imóvel e calado, como se a pergunta não fosse para ele.
- Foi como na
vez do pássaro. Como pode saber dessas coisas?
Lia colocou a
mão em seu ombro, olhou em seus olhos, e fez um sinal negativo com a cabeça.
- Vamos para
casa Geraldo, precisamos descansar.
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