segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O gênio de 5 anos

Era o aniversário de cinco anos do pequeno João.
Como de costume, Lia e Geraldo chamaram alguns poucos parentes próximos, pois sabiam que João não gostava de várias pessoas ao seu redor.
Porém, dessa vez, uma tia de Lia contava com a visita de um parente distante de seu marido, logo, para não deixá-lo sozinho em sua casa enquanto ela ia até a fazenda no aniversário de seu sobrinho, optou por pedir a permissão de Lia para levá-lo contigo.
Lia não se importou, e logo a família se reunia para o aniversário.
- Trouxe um presente para o Joãozinho – disse o garoto que chegou juntamente com a tia de Lia. – Sei que ele gosta de pássaros e aviões, então resolvi fazer uma surpresa.
Ao receber o embrulho vermelho, João começou mais que rapidamente desembrulhá-lo. Ao ver o que acabara de ganhar, um sorriso quase nunca visto surgiu em seu rosto, pois aquelas muitas peças só poderiam construir algo no qual ele gostava muito.
- Não achei nenhum avião mais simples de montar, então achei que este seria legal – disse o rapaz um pouco sem graça ao perceber que aquele poderia ser um brinquedo muito complexo para o pequeno João – acho que vou me sentar com ele e ajudá-lo a montar.
- Não sei se ele vai aceitar sua ajuda – disse Geraldo. – Nosso filho não é de aceitar ajuda e nem é fã de muita conversa.
Ao ver o rapaz se sentando ao seu lado, João logo fez o favor de lhe virar as costas para montar sozinho seu novo presente. E se assustou ao ver o rapaz dar a volta, e mais uma vez se sentar em sua frente.
Aquilo fez com que ambos ficassem pelo menos por dois minutos se encarando, sem trocarem uma só palavra, e quando achavam que João ia ceder, o garoto deu mais um giro e voltou ao seu novo brinquedo.
O rapaz, dessa vez, não tentou voltar a encará-lo, ficando de pé próximo ao garoto vendo o que ele poderia fazer com tantas peças de um brinquedo aparentemente tão complicado.
Todos agora pararam para observar o garoto a montar o brinquedo, desacreditados de seu sucesso, pois aquele era um avião destinado a garotos de pelo menos 15 anos, pois continha muitas peças e diferentes sistemas de montagem.
Foram necessários apenas 10 minutos. João ergueu o avião perfeitamente montado, e saiu correndo rumo ao quintal, em uma alegria que ele não parecia se conter.
Os olhos arregalados dos convidados não acreditavam no que acabaram de ver, porém o rapaz soltava um sorriso de quem sabia que aquilo iria acontecer.
- Mas o que foi isso? – questionou Lia intrigada.

- Fique tranquila Lia – disse o rapaz com um ar de aliviado. – Acabo de comprovar o que eu suspeitava ao ouvir o que a minha tia dizia tantos dias sobre o pequeno João. Seu filho é um gênio.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Na sacada

Lia esperava em frente ao consultório com o pequeno João ao seu lado, enquanto Geraldo se aproximava com sua caminhonete. Após pegá-los, seguiram em direção ao mercado do pai de Lia.
- Realmente Geraldo, o neurologista disse que o João tem os traços que levam a crer que ele é autista, como nós imaginávamos. – Disse Lia ao seu marido em um tom de desapontamento.
Foram discutindo o assunto enquanto o pequeno João olhava pela janela do carro todos os prédios que acompanhavam aquela avenida. Seus olhos não se cansavam de olhar para cima. Ao chegar ao mercado, o pai de Lia os viu chegando e correu para recebê-los, e matar a saudade do neto que não via há quase 1 mês.
Como já era de se esperar, não conseguiu um abraço, pois o pequeno João não aceitava que o tocassem. O avô, por conhecer bem essa característica, não forçou a barra.
Ele os convidou para subirem até o segundo andar, em sua casa, onde também sua esposa os esperava para um café da tarde.
Aceitaram com a condição de uma breve visita, pois Geraldo precisaria voltar logo, a plantação não podia parar, e já tinham perdido bastante tempo desde manhã, devido à consulta do pequeno João no consultório do Neurologista.
- Aquilo que esperávamos mãe, o neurologista disse que João possui traços de autista. – Dizia Lia à sua mãe enquanto essa lhe servia uma xícara de café.
- Não se preocupe minha filha, – ela respondeu com calma – isso não muda nada. Basta saber educá-lo, que tudo ficará bem. Inclusive, eu tenho um presente para ele.
- João, venha cá, sua avó está lhe chamando! – Chamou Geraldo pelo filho.
Porém, o que já era de se esperar, João não apareceu.
Ao sair pela enorme casa de 200 metros quadrados, posicionada no segundo andar do supermercado, Geraldo começou a se assustar ao não encontrar o filho.
- Lia, ele não está aqui! – Gritou aflito.
Em um instante, todos estavam às pressas procurando pelo garoto por toda a casa.
- Ai meu Deus! – Gritou o pai de Lia ao ver cena.
João havia aberto a porta da sala, que dava para uma sacada, atravessado a cortina que a cobria, e se encontrava sentado sobre a grade, olhando o movimento intenso de pessoas que saiam e entravam o tempo todo no mercado. O mais espantoso, é que sentado junto dele, 2 pássaros pareciam lhe fazer companhia, olhando para o mesmo ponto.
A chegada do avô, fez com que os dois pássaros voassem deixando o garoto sozinho sobre a grade de proteção. João olhou para trás, com um olhar de lamento pelo fato dos dois amigos o terem deixado, e em um movimento rápido, voltou para dentro de casa, sentando-se no chão da sala, e brincando com o controle da TV como se este fosse um pequeno avião.
- Por favor João, não faça mais isso! – Disse o avô de João enquanto olhava para o neto que brincava no chão.

- Não adianta pai – respondeu Lia se aproximando. – Algo muito forte liga ele aos pássaros.

Avião

Três anos e meio, e nenhuma só palavra, pensava Lia calada enquanto observava seu filho brincando com o velho aviãozinho no chão da sala. Tudo que ele pegava em suas mãos, fingia ser um avião e ficava fazendo o mesmo movimento de vai e vem. Não emitia nenhum som, apenas vibrava os lábios imitando o barulho de um motor.
Vou tentar mais uma abordagem direta, pensou ela enquanto se aproximava um pouco mais.
- João, diz pra mamãe, você quer comer?
Nenhuma resposta.
- Quer brincar com a mamãe?
Novamente o silencia se mantinha.
- Olha para mim filho, olha para a mamãe! – Dizia enquanto as primeiras lágrimas surgiam em seus olhos. – Por favor meu filho, me diz alguma coisa.
João não esboçava nenhuma reação. Mantinha sua brincadeira, o mesmo vai e vem com o avião.
- Que tal se a gente cantasse uma música juntos! Igual a mamãe canta para você todas as noites antes de dormir.
Mas, ao começar a cantar a canção como ela fazia todas as noites para ele, João se levantou, agora já não brincava mais, virou de costas para ela e foi em direção à porta. Lia agora não segurava mais as lágrimas, seu filho parecia que nunca iria falar, nem sequer, iria dar atenção a qualquer coisa que ela ou Geraldo fizessem. Cobria o rosto com as mãos, e já não segurava o choro.
João abriu a porta, e saiu para o pasto que havia em frente sua casa.
Ao chegar na porteira, olhou para trás, e ainda era possível ver sua mãe ajoelhada no chão da sala, ainda não controlando seu choro. Olhou em seus olhos azuis, agora mais brilhantes por causa das lágrimas, um sorriso surgiu no canto de sua boca. João a abriu lentamente, e foi possível ouvir um pequeno sussurro:
- Avião.
Lia não podia acreditar que ele havia dito uma palavra, avião. Era a primeira vez que ouvira a voz de seu filho, que agora corria em direção a sua árvore preferida. Ao vê-lo correndo, saiu de sua casa e se encostou na pequena porteira. Foi possível ver apenas as pequeninas pernas terminando de escalar a mesma árvore de sempre.

- Meu filho falou.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O acidente

A cidade mais próxima da fazenda ficava a 10 quilômetros.
Pelo menos uma vez por semana, Geraldo e Lia se deslocavam até lá para fazer compras e aproveitavam para levar o pequeno João para passear.
Após uma tarde de compras e um passeio breve por uma praça próxima ao mercado, os três resolveram voltar para casa, exaustos e com a caminhonete cheia, partiram para a estrada e seus tradicionais 10 quilômetros de trajeto.
Porém uma cena lhes deixou assustados: Bem a sua frente, um carro aparentemente acabara de capotar, e até aquele momento ninguém havia aparecido para prestar socorros. Mais que instantaneamente, Geraldo parou a caminhonete, pediu para que Lia e João ficassem no carro e saiu gritando para saber se estavam bem.
O carro estava de ponta cabeça. Com boa parte de sua lataria amassada, não se ouviam pedidos de socorro, o que fez Lia pensar o pior sobre aquela situação. João ficou em pé no banco, observando tudo o que acontecia naquele momento.
- Não olhe meu filho – pedia Lia a João, enquanto ele tentava entender o que se passava. – O papai já vem. A polícia deve estar a caminho.
Geraldo começou a se aproximar do carro, quando começou a chamar pelas pessoas que estavam no carro:
- Estão todos bem? Alguém ferido?
- Por favor, nos ajude! – Veio uma voz trêmula de dentro do carro.
- Calma, tudo vai ficar bem – respondeu Geraldo. – Eu já liguei para a polícia e para a ambulância. Estão a caminho.
- Estamos presos. Não conseguimos sair. Minha mulher está desmaiada. E não consigo ouvir meu filho, não sei se ele estava usando o cinto – a voz fez uma pausa. – E não consigo olhar para trás, meu pescoço não se move.
Naquele momento, João saiu correndo pela porta que o pai havia deixado aberta, mesmo com os gritos de Lia para que ficasse ali, ele atravessou o gramado e pulou a cerca que estava fixada a uns 10 metros da estrada.
- Geraldo! O João saiu correndo para a cerca! – Gritou Lia para seu marido, que estava de costas para eles.
Ao ver o filho correndo, Geraldo praticamente esqueceu da família dentro do carro, e saiu em disparada atrás de seu filho, sem saber dessa vez onde ele estava indo. Após percorrer uns 8 ou 10 metros depois da cerca, ele encontrou seu filho, abaixado próximo a uma região onde o mato havia estava aparentemente mais baixo.
O susto de Geraldo, ao chegar, foi ver o motivo daquela parte estar mais baixa: O filho do casal se encontrava caído ali, praticamente sem consciência, mostrando que ele havia sido arremessado durante o acidente. O pequeno João olhava para ele e, ao ver seu pai chegar, se levantou e voltou para o carro, como sempre, sem pronunciar uma única palavra.
Mais 5 minutos, e a polícia e a ambulância chegaram, Geraldo mostrou onde estava a criança. Preferiu não tirá-la do lugar por medo de quebrar alguma coisa. Naquele momentos pelo menos mais uns 5 ou 6 carros estavam parados ali, uns por curiosidade, outros ajudando na sinalização e prestando os socorros que lhes eram possíveis.
Ao entrar no carro, Geraldo olhou para Lia e depois voltou seu olhar para o pequeno João, que por sua vez, olhava sempre para frente.
- Como você sabia que aquele garoto estava lá? – Perguntou ao seu filho.
João se mantinha imóvel e calado, como se a pergunta não fosse para ele.
- Foi como na vez do pássaro. Como pode saber dessas coisas?
Lia colocou a mão em seu ombro, olhou em seus olhos, e fez um sinal negativo com a cabeça.

- Vamos para casa Geraldo, precisamos descansar. 

A árvore

A altura não parecia um problema para João.
Todas as árvores da propriedade pareciam ser suas amigas. João chegava como quem gostaria apenas aproveitar de sua sombra, começava a contornar seu tronco e o tocava com as duas mãos em um movimento que mais parecia uma saudação. De repente, ele olhava para cima, estudando a árvore, escolhendo um melhor lugar para subir. Ao estar certo do que fazer, ele começava a escalá-la, e em poucos segundos já estava no seu topo. Passava horas ali, sem se mover, apenas olhando a propriedade de seu pai.
Aquele era o ponto favorito de João, era o lugar de onde ele conseguia ter a visão total de toda a área. Via seu pai ao longe, trabalhando sozinho em sua suada plantação. Um giro de 180 graus e podia ver sua mãe, trabalhando em seu jardim. Um giro de mais 90 graus e poderia enxergar a porteira que dava acesso à propriedade. Logo acima da porteira, a placa com o nome “Fazenda Pedaço do Céu”, não que João aparentemente soubesse ler aos 3 anos, mas sabia que esse era o nome do local onde morava.
Lia nem precisava procurar muito quando seu filho desaparecia por horas, sabia onde encontrá-lo.
- João! Sei que está aí em cima da árvore – Gritava ela, olhando para a copa da árvore mesmo sem poder vê-lo. – Venha aqui, está na hora do almoço.
João esboçou um pequeno sorriso apenas em um dos cantos da boca, olhou para frente, para um pássaro que o observava de volta no mesmo galho. Olhou agora para baixo, e começou a descer a árvore sem encontrar nenhuma dificuldade no que fazia.
Chegou ao chão praticamente no mesmo intervalo de tempo que levou para chegar lá em cima, e saiu em disparada em direção a sua casa.
Seu pai vinha ao longe, trazendo o cansaço de meio dia de trabalho no corpo. Ao passar embaixo da mesma árvore onde João se encontrava, o pássaro levantou voo, causando um susto em Geraldo.

João olhou para a cena, o mesmo canto da boca voltou a sorrir, ele então, virou-se para sua mãe e correu até ela.

O pássaro

O barulho do despertador alertava: já eram 4 horas da manhã.
Geraldo esticou seu braço, o silenciou e se pôs sentado na cama. Olhou para trás, e observou Lia enquanto ela dormia. Ainda jovem, sua esposa abrira mão de uma vida luxuosa para morar com ele no campo. Filha do proprietário de um supermercado resolveu morar com Geraldo apenas com 18 anos. Ela é a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Loira, cabelos na altura dos ombros, olhos azuis, e disputada por muitos dos ricos rapazes que viviam na cidade, preferiu partir com seu agora marido para uma vida simples longe dali, em uma pequena propriedade que ele comprara com a herança que recebera dos pais. Tem horas que não acredito que ela preferiu a mim. Geraldo voltou a si de seus pensamentos, e levantou para mais um dia de plantação.
Ao chegar na cozinha, espantou-se ao ver a porta aberta, praticamente escancarada.
- Meu Deus! Será que alguém entrou aqui? – Disse Geraldo em desespero quando saiu em disparada até o quarto do filho de 3 anos.
Mais um susto, João não estava no quarto. No mesmo momento, Geraldo girou sobre os calcanhares e saiu gritando para fora o nome de João. Gritos esses que se encerraram ao chegar na frente de sua varanda, ao ver o filho sentado cavando um buraco, de aproximadamente 30 centímetros de profundidade.
- Minha nossa João! O que está fazendo aqui fora a essas horas?
João mantinha seu foco no buraco, ignorando completamente o desespero do pai.
- Venha, vamos para dentro! Está frio meu filho – disse Geraldo agarrando o filho pelo braço.
Ao se sentir as mãos do pai, o pequeno João se viu em desespero. Começou a se debater como se aquilo queimasse sua pele. Ele não gostava de ser tocado.
Lia, apareceu totalmente assustada com os gritos do marido, querendo saber o que estava acontecendo, quando se deparou com a imagem de Geraldo, agora parado, olhando para o pequeno João enquanto esse continuava a cavar.
Terminando o que aparentemente era um simples buraco, João deu meia volta e voltou para a cama, como se nada tivesse acontecido. Geraldo e Lia se entreolharam sem entender nada, Lia voltou para a cama e Geraldo seguiu seu caminho para a plantação. Havia muito o que se aprender sobre seu filho.
Já passava do meio dia quando Geraldo vinha ao longe, Lia estava na varanda esperando por ele para almoçar, e João estava brincando com seu pequeno avião sem uma das asas. Para o espanto de Lia, Geraldo trazia em uma de suas mãos, um pássaro, sem que esse realizasse nenhum movimento.
- Minha nossa Geraldo, o que é isso agora? – Perguntou Lia olhando para o animal nas mãos do marido.
- Acabei de encontrá-lo, estava caído há uns 50 metros daqui. Parece que levou uma pedrada, mas não resistiu. Morreu no caminho para cá. Não queria deixá-lo caído lá no chão.
Nisso, o pequeno João se levantou de onde estava, se aproximou do pai e pegou o pássaro morto em sua mão. Seguiu até o pequeno buraco que ele havia cavado, e colocou o pássaro com cuidado lá dentro. O cobriu com terra, e voltou a brincar com seu aviãozinho.
- Meu Deus Geraldo – disse Lia em um tom de espanto. – Ele cavou uma cova para o pássaro.

- Impossível – ele respondeu mais espantado ainda. – Como ele poderia saber? 

O filho que não ouve

Já passavam das cinco horas da tarde quando Geraldo chegou em casa. O dia não tinha sido fácil e a plantação não tinha rendido como o esperado. A poeira em seu chapéu parecia não ter fim quando ele o batia no canto da pequena porteira que separava a porta da sala do grande pasto à frente de sua casa. Não quis entrar em casa por aquela porta, sabia o quanto aquilo deixava sua esposa furiosa, então deu a volta para que pudesse entrar pela varanda. Uma área de aproximadamente 20 metros quadrados, preenchida por um fogão de lenha à esquerda e um tanque de lavar roupas à direita. No canto ao lado do fogão, Geraldo guardava suas varas de pescar e suas ferramentas particulares. Aquele canto era seu pequeno depósito.
Tirou a velha botina, passou pela varanda e entrou na pequena cozinha de sua casa. Sua esposa estava sentada em uma das cadeiras de madeira, olhando para o pequeno João que brincava com um pequeno avião de plástico, com apenas uma das asas, repetindo o mesmo movimento de vai e vem.
Geraldo se aproximou, em um gesto de carinho a beijou em sua testa, e cumprimentou seu filho:
- Olá Joãozinho – Disse ele se abaixando próximo ao filho. – Não quer falar oi para o pai?
O filho continuou sua brincadeira como se nada tivesse acontecido, nem sequer olhou para o pai ali próximo a ele.
- Tivemos algum progresso? – Perguntou Geraldo para Lia.

- Nada – respondeu ela em tom de tristeza. – Faz uma hora mais ou menos que ele está aí dessa mesma maneira. Não reage a nada que eu faça para ele. Não adianta Geraldo, ele não nos ouve.