quinta-feira, 18 de julho de 2013

Na sacada

Lia esperava em frente ao consultório com o pequeno João ao seu lado, enquanto Geraldo se aproximava com sua caminhonete. Após pegá-los, seguiram em direção ao mercado do pai de Lia.
- Realmente Geraldo, o neurologista disse que o João tem os traços que levam a crer que ele é autista, como nós imaginávamos. – Disse Lia ao seu marido em um tom de desapontamento.
Foram discutindo o assunto enquanto o pequeno João olhava pela janela do carro todos os prédios que acompanhavam aquela avenida. Seus olhos não se cansavam de olhar para cima. Ao chegar ao mercado, o pai de Lia os viu chegando e correu para recebê-los, e matar a saudade do neto que não via há quase 1 mês.
Como já era de se esperar, não conseguiu um abraço, pois o pequeno João não aceitava que o tocassem. O avô, por conhecer bem essa característica, não forçou a barra.
Ele os convidou para subirem até o segundo andar, em sua casa, onde também sua esposa os esperava para um café da tarde.
Aceitaram com a condição de uma breve visita, pois Geraldo precisaria voltar logo, a plantação não podia parar, e já tinham perdido bastante tempo desde manhã, devido à consulta do pequeno João no consultório do Neurologista.
- Aquilo que esperávamos mãe, o neurologista disse que João possui traços de autista. – Dizia Lia à sua mãe enquanto essa lhe servia uma xícara de café.
- Não se preocupe minha filha, – ela respondeu com calma – isso não muda nada. Basta saber educá-lo, que tudo ficará bem. Inclusive, eu tenho um presente para ele.
- João, venha cá, sua avó está lhe chamando! – Chamou Geraldo pelo filho.
Porém, o que já era de se esperar, João não apareceu.
Ao sair pela enorme casa de 200 metros quadrados, posicionada no segundo andar do supermercado, Geraldo começou a se assustar ao não encontrar o filho.
- Lia, ele não está aqui! – Gritou aflito.
Em um instante, todos estavam às pressas procurando pelo garoto por toda a casa.
- Ai meu Deus! – Gritou o pai de Lia ao ver cena.
João havia aberto a porta da sala, que dava para uma sacada, atravessado a cortina que a cobria, e se encontrava sentado sobre a grade, olhando o movimento intenso de pessoas que saiam e entravam o tempo todo no mercado. O mais espantoso, é que sentado junto dele, 2 pássaros pareciam lhe fazer companhia, olhando para o mesmo ponto.
A chegada do avô, fez com que os dois pássaros voassem deixando o garoto sozinho sobre a grade de proteção. João olhou para trás, com um olhar de lamento pelo fato dos dois amigos o terem deixado, e em um movimento rápido, voltou para dentro de casa, sentando-se no chão da sala, e brincando com o controle da TV como se este fosse um pequeno avião.
- Por favor João, não faça mais isso! – Disse o avô de João enquanto olhava para o neto que brincava no chão.

- Não adianta pai – respondeu Lia se aproximando. – Algo muito forte liga ele aos pássaros.

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